sábado, 31 de julho de 2010

Manifesto Ambientalista - Participe divulgue

M A N I F E S T O


Fonte: http://ambiental.wordpress.com/manifesto/

A frente ambientalista AMBIENTALLIS é um movimento conservacionista - de iniciativa particular e idealizado pelo ambientalista Tavinho Caúmo – em defesa da preservação ecológica e do meio ambiente, cuja missão é acompanhar e monitorar, sempre que necessário, as atividades realizadas em nível local que apresentem relação, direta ou indireta, com a questão socioambiental, bem como para intervir e atuar, conjuntamente com a sociedade civil, no apoio a políticas públicas, programas e ações governamentais e com entidades não-governamentais, com o objetivo maior de alcançar padrões sustentáveis de desenvolvimento e uma sadia qualidade de vida.

A existência da frente ambientalista AMBIENTALLIS é inspirada na necessidade da nossa sociedade em organizar-se e ter voz ativa e conjunta, inspirando mudanças de conceitos e de atitudes em sincronia com as soluções desejáveis, permitindo manter nosso meio ambiente ecologicamente equilibrado. Sua atuação precípua está na convocação de nossos indivíduos, despertando o mais elevado nível de consciência, de unidade e de organização, visando o fortalecimento do exercício de uma cidadania ambiental responsável, comprometida com o futuro do nosso território, com a melhoria da qualidade de vida da coletividade e com a herança às próximas gerações.

DA CONSTITUIÇÃO

A frente ambientalista AMBIENTALLIS não tem sede física ou presencial. Seu único estabelecimento é o domínio registrado de internet www.ambientallis.org - onde divulga suas idéias e ações - e recebe comunicações de toda e qualquer natureza por meio eletrônico no endereço contato@ambientallis.org, não tendo escritórios ou representações em nenhuma localidade do País ou fora dele. Atua localmente no Estado da Paraíba e, em particular, na região metropolitana de sua capital, João Pessoa, podendo estender suas ações a qualquer tempo e a qualquer parte do território nacional. O prazo de duração é indeterminado, podendo ser dissolvida a qualquer tempo, não cabendo, a quem quer que seja, indenizações de quaisquer naturezas.

A frente ambientalista AMBIENTALLIS não mantém vínculos com partidos políticos, sindicatos, entidades classistas e órgãos da administração pública, e tampouco com outras organizações governamentais, comerciais ou empresariais, mas poderá desenvolver as modalidades de parceria ou colaboração com outras frentes, movimentos, entidades, órgãos ou organizações, desde que em total observância de seus princípios e objetivos. Também não possui patrimônio, e nem constituirá um, não tendo quaisquer fins lucrativos, econômicos ou comerciais, não distribuindo, ainda, lucro, dividendo, bonificação, subvenção, remuneração ou quaisquer outras vantagens, seja a quem for, sob nenhuma forma ou pretexto.

DOS PRINCÍPIOS

A frente ambientalista AMBIENTALLIS adota como princípios:

I. A natureza como a criadora das coisas, sendo todos os seres vivos partes integrantes dela;

II. A convivência em harmonia entre o desenvolvimento sustentável e a conservação dos recursos naturais;

III. A preservação como sendo de responsabilidade de toda a sociedade, em ações praticadas diariamente;

IV. A sensibilização de cada indivíduo como início da mobilização coletiva para atingir o exercício da cidadania plena;

V. A fé inabalável no estado democrático de direito e suas instituições, bem como o respeito aos direitos humanos e ao uso de meios pacíficos em suas ações;

VI. O profundo repúdio a preconceitos, discriminações, injustiças e violências de quaisquer naturezas e formas;

VII. A independência, legalidade e moralidade na busca incessante de seus objetivos;

VIII. O respeito às leis, tratados e acordos internacionais, bem como à Constituição Federal Brasileira e à unidade e soberania do Brasil.

DOS OBJETIVOS

A frente ambientalista AMBIENTALLIS tem por objetivos:

I. A conservação das diversidades genéticas de espécies e de ecossistemas;

II. O fomento do uso sustentável dos recursos naturais, para promover o desenvolvimento econômico e social;

III. O estímulo à redução da poluição de qualquer natureza e do desperdício de recursos;

IV. O respeito à natureza e a integração com todos os seres que dela fazem parte;

V. A convocação de toda a comunidade para a conservação do ambiente natural, incluindo a fauna, flora, água, solo, ar e outros recursos naturais, com particular ênfase na manutenção dos processos ecológicos essenciais ao suporte à vida;

VI. O chamamento de nossa comunidade para o exercício de uma cidadania ambiental abrangente, responsável e comprometida com o futuro do nosso planeta;

VII. A promoção da conscientização de nossas populações para a necessidade de preservação da natureza e a otimização do uso dos diversos ecossistemas;

VIII. A promoção de atividades de educação ambiental e do fortalecimento da capacitação da sociedade em gerir sustentavelmente os recursos naturais em que se apóia a vida;

IX. O estímulo, reconhecimento e valorização das iniciativas que visem o desenvolvimento sustentável, o equilíbrio ambiental e o bem estar social;

X. A sensibilização das autoridades e da opinião pública, congregando esforços para o enfrentamento de infrações administrativas, contravenções ou crimes de natureza ambiental;

XI. O incentivo ao aperfeiçoamento da legislação ambiental e de políticas públicas, assim como a firme oposição à qualquer tentativa de impor retrocessos à legislação ambiental;

XII. O propugnar pela máxima cooperação entre o Poder Público e a sociedade para a solução dos problemas ambientais;

XIII. A atuação como catalisador de novas demandas da sociedade em relação a questões socioambientais.

DAS ADESÕES

Poderão aderir aos objetivos da frente ambientalista AMBIENTALLIS quaisquer indivíduos – independente de nacionalidade, gênero, orientação sexual, cor, raça, profissão, vínculo político, credo, seita ou concepção filosófica ou religiosa – que demonstrem interesse e desejem apoiar e cooperar ativamente na sua consecução, desde que assumam como compromisso irretratável, a adoção e o respeito, no exercício de qualquer ação ou atividade, de todos os princípios acima elencados. Não há distinção de categorias entre todas as pessoas participantes, interessadas ou convidadas a se unirem ao movimento, sendo todos integrantes voluntários, unidos na defesa de seus legítimos interesses comuns.

À nenhum integrante será intuída a preposição ou representação do movimento, ficando ressalvado o direito de desligar-se livremente a qualquer tempo, assim como de não responder, em qualquer instância, solidária ou subsidiariamente, por nenhuma obrigação em nome da frente ambientalista AMBIENTALLIS, exceto por atos praticados de próprio punho ou aqueles de sua responsabilidade individual. No exercício das suas atividades, os integrantes ou participantes, diretos ou indiretos, não poderão requerer para si a propriedade de marca e das expressões ou sinais de propaganda e o seu uso exclusivo, ou utilizá-las em atividades ou ações que não sejam de iniciativa do movimento.

João Pessoa, 05 de agosto de 2010.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Amigos

O Projeto Poema com Manteiga sai agorinha em lembrança e saudades dos amigos que se foram. Pra Radegundis Feitosa que toca hoje na orquestra celestial. Que fique em paz. Que fiquemos em paz. Até breve.


Amigos



Ivaldo Gomes



Ao pouco eles se vão.

Uns aqui, outros ali.

Vão-se como os dias.

Mal anoitece e vão embora

Com as estrelas.

Mal amanhece e chega

A notícia de mais um

Que se foi no rastro

Desse imenso sol.



E a gente vai ficando,

Ficando, cada vez

Mais só.

Ah o tempo!

Esse tempo sem fim,

E quase no fim

Sem amigos.

Indo, indo, indo

Enfim.



‘Amigos sumindo assim,

Pra nunca mais’.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

O sonho de Inacim

Ivaldo Gomes


Vi hoje o longa do cineasta/arquiteto/diretor paraibano Eliézer Rolim: O sonho de Inacim. Um belo filme. Um resgate da imagem e da história de quem foi verdadeiramente Padre Rolim – 1800/ 1899 - http://www.canalnoite.com.br/padre.php). Considerado o grande mestre que educou gerações no sertão paraibano. Tem um ditado aqui na Paraíba que diz que ‘Cajazeiras educou a Paraíba’ referindo-se a grandeza do feito de padre Rolim. Mas o filme mostra mais. Mostra um visionário que enxergava longe. Pois passou pelas suas mãos figuras como o Cardeal Arcoverde, primeiro arcebispo latino americano e simplesmente o ‘santo’ Padre Cícero. O famoso Padim Ciço do Juazeiro.
Eliézer fez um excelente filme. Grande elenco. Cito Zé Wilker – no papel do padre – o nosso consagrado José Dumont, Marcélia Cartaxo (Urso de Prata em Moscou), Zezita Matos (a grande dama do teatro paraibano) e um rol dos melhores atores e atrizes que essa Paraíba possui com muita, mas muita qualidade. É sem sombras de dúvidas o melhor longa metragem dos últimos trinta anos do cinema paraibano. O filme retrata a época e as possíveis histórias explicativas para a existência e resistência de um padre culto, de descendência francesa, que na primeira metade do século dezenove, cria e mantém uma escola para os filhos de uma região que não tinha acesso nenhuma escola. O filme levanta também a hipótese de que padre Rolim tenha sido um dos primeiros naturalista nordestino.
O importante destacar aqui é que com o seu filme ‘O sonho de Inacim’, Eliézer terminou por fazer um registro onde podemos entender a história e o tempo no sertão de Cajazeiras naquele período. O desempenho dos personagens, com diálogos e argumentos bastante coerentes, mostra um Eliézer dosando sua narrativa num filme de belo colorido e imagens irretocáveis. Belo trabalho, o que a equipe de produção fez em O sonho de Inacim. Se você não viu ainda. Dê um jeito e veja. Você vai ficar encantado com mais esse novo filme paraibano. Com certeza fará muito sucesso por onde passar.
http://www.osonhodeinacim.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=30&Itemid=1

terça-feira, 27 de julho de 2010

Censura e paranoia na NET

O TRE/TSE estão de parabéns. Conseguiu meter medo em tudo que foi blogs e sites na internet. Todo mundo revendo o direito livre de expressão para postagens em seus veículos de comunicação. Até o final da eleição o melhor e se precaver. Pois têm assessorias advocatícias querendo ganhar dinheiro com postagens alheias nos comentários de blogs e sites. O 'bom negócio' é o seguinte: pessoas de má fé, postam comentários injuriosos ou mesmo falsos sobre determinada pessoa em seu blog ou site e logo após vem o advogado com uma ação de perdas e danos junto ao TRE/TSE e lasca uma multa astronômica em você e ainda o obriga a retirar do ar os comentários que não foi você que fez, mas por ter um blog ou um site você paga o pato. É bom a gente deixar de ser besta e abrir o olho. Pois contra armação nem Jesus escapou. Parece mesmo que o mundo só vai voltar ao normal depois da eleição. Uma lástima. A eleição e a censura em torno dela. Pense numa democracia! Modere seu site para não cair nessa esparrela. É golpe. Moderar não é censurar, é precaução contra armações, pelo menos enquanto durar esse período eleitoral.
Um abraço,
Ivaldo Gomes

domingo, 25 de julho de 2010

Conhecimento é atributo da vida

Fonte: http://www.portalcorreio.com.br/jornalcorreio/matLer.asp?newsId=143774

A tecnologia está englobando a ciência de tal forma que o homem praticamente abandonou a sensibilidade e a busca por um entendimento completo de sua importância para o Planeta e para si próprio. O professor José Maria Tavares de Andrade, pós doutor em Epistemologia da Complexidade diz que economia e ecologia podem conviver juntas, pois têm a mesma origem grega “oikos”, que significa vida, casa e que o atual modelo civilizatório da humanidade é suicida. Ele defende a busca permanente pelo conhecimento, mas ressalta que a escola não salva e educação demais pode promover uma deformação, ao lembrar que a quantidade de pessoas diplomadas em Cuba não resolveu o problema de desenvolvimento do país. Atualmente vivendo na França, veio a João Pessoa para lançar o livro ‘Complexidade: Educação, Cultura e Civilização’, que escreveu com a mulher Valérie Bindel de Andrade. Globalização, Violência, Meio Ambiente e outros temas da atualidade foram abordados por ele nessa conversa.

A entrevista
- Como o senhor analisa a atual crise que atinge a Europa e que muitos atribuem à globalização?
- Precisamos entender uma primeira globalização, que seria a própria expansão da história da humanidade com a expansão dos pequenos grupos, que foram tomando o espaço habitável na superfície da terra. Pelo que se sabe o bicho homem nasceu na África e foi ocupando a superfície da terra. Com o descobrimento e a colonização do Novo Mundo houve uma segunda globalização e a Europa expandiu-se e desenvolveu-se graças ao subdesenvolvimento do resto do mundo.

- Cresceu a partir da exploração propriamente dita?
- Exploração dos recursos naturais, da mão-de-obra e o domínio econômico, político e da ciência e tecnologia. Por conta disso a Europa hoje paga um preço altíssimo. É um retorno da manivela, o preço que pagam os países europeus por conta do próprio custo de vida lá.

- Por quê?
- Porque a mão-de-obra é caríssima, o aluguel é altíssimo. As indústrias hoje escapam da Europa e produzem por 1/3 dos custos, inclusive, produtos agrícolas – e a própria autonomia alimentar dos europeus está comprometida.

- Apesar de todo investimento educacional na preparação dos europeus, na sua especialização profissional?
- Aí é que está a ilusão que vem do iluminismo: a escola não salva. A quantidade de pessoas diplomadas, com alto nível de conhecimento em Cuba, por exemplo, não resolve o problema do desenvolvimento. Na Europa, o operário precisa ganhar muito mais do que o chinês para sobreviver.

- Se a escola não salva, quem salva, já que a educação é a grande alternativa para a mobilidade social?
- A lógica do capitalismo é a concorrência. Como não tem espaço para todo mundo, eu vou tomar o seu espaço. Para tomá-lo é claro que é preciso competência, mas é um jogo bruto, que é jurídico e econômico na concorrência internacional.

- Como o senhor vê a educação nesse processo?
- Continua sendo fundamental, mas a educação é uma palavra muito ambígua. Ela é como se fosse algo sempre positivo e não é.

- Não?
- Não, porque a educação, ao mesmo tempo, significa uma “encucação”, uma lavagem cerebral, uma maneira de pensar. Você se educa bem ou mal e você, bem educado, pode significar deformação, ou seja, não aprender mais.

- O que pode haver de deformação?
- Um menino na escola recebe uma carga de informações, tem que cumprir determinadas obrigações para passar no fim do ano. Mas ele pode não aprender a aprender – e muitas vezes se aprende muito mais fora da escola do eu na escola.

- Ainda não entendi aonde o senhor quer chegar...
- Se a escola não conseguir canalizar a internet, a cultura, os movimentos, as motivações, o lazer, o pensamento, a crítica, a escola fica à parte. Me lembro da idéia iluminista que dizia que “quando se abre uma escola se fecha uma cadeia”. Mas só que os ladrões maiores estão fora da cadeia. São os de colarinho branco. Todos muito bem educados.

- Daí o aumento da violência, inclusive nos países mais desenvolvidos?
- Eu analiso a mudança recente da humanidade como um triângulo. Hoje em dia, dois extremos são um ângulo do coletivismo e o ângulo do individualismo. Para que exista menos violência, mais equilíbrio é preciso o terceiro ângulo que seja eqüidistante do coletivismo e do individualismo.

- O Estado não conseguiu isso?
- Não porque o Estado não consegue criar instituições. Quem cria novas instituições é a sociedade civil. O governo Lula, por exemplo, ajudou muito a pobreza é verdade, mas não ensina as pessoas a serem autônomas.

- Mas não seria o passo seguinte?
- Não. Se começa errado, vicia o cidadão como a esmola. Lula está imitando os erros dos países ricos. Na Europa, muita gente não quer trabalhar, porque faz três filhos e o governo sustenta. E aqui a expansão demográfica está exagerada por conta dessa “ajuda” , as bolsas. Então, a educação tem que dar autonomia ao indivíduo para que seja considerada positiva.

- E a tecnologia, a informática, a internet, como se encaixam nesse cenário?
- A informática é outro fator muito grande de destruição das instituições tradicionais, porque pela informática você passa a pensar binário. E muita gente não consegue mais se comunicar se você fugir desse pensamento.

- Que exemplo o senhor citaria para explicar melhor esse pensamento binário?
- Fui ao Bairro dos Estados para comprar dois cartuchos de impressora e duas resmas de papel. O cara foi usar o computador para fazer o cálculo. Perguntei se era para controle de estoque, ele disseque era apenas para me dar o troco. Eu já tinha feito a conta de cabeça e entreguei o dinheiro para ele já facilitado o troco. Eu, então, perguntei: você tem memória? Ele respondeu com outra pergunta se seria HD, a memória ddr. Eu repliquei: essa memória que o senhor está me falando é a do patrão. Eu quero saber é a sua memória, porque você não fez essa conta de cabeça e me fez esperar enquanto liga a máquina.

- Acaba se iludindo com uma suposta velocidade da máquina?
- Está se burrificando. O pensamento complexo é exatamente tentar articular aquilo que a ciência e a tecnologia desarticularam do homem.

- Mas essa não é a constatação de uma marcha inexorável, que atingiu todas as ciências, inclusive a medicina, onde hoje se depende de exames sofisticadíssimos para se diagnosticar uma apendicite?
- É o modo de pensar, de conhecer? Edmar Morin, quando fala no pensamento complexo e na reforma do pensamento é, exatamente, para que essa marcha não seja irreversível. Temos que fazer um percurso para tentar conciliar essa dicotomia que está se criando no espírito da humanidade. A ciência dividiu o mundo e o homem em pedaços e o pensamento complexo tenta rearticular.

- O que é essa filosofia do pensamento complexo de Edgar Morin que o senhor já se referiu varias vezes nessa conversa?
- Do ponto de vista etimológico é aquilo que é tecido conjuntamente. Você está tendo um pensamento complexo, mesmo que não se atribua a isso na hora em que você contesta essa dependência de um diagnóstico de máquina, de indicadores totalmente outros ao organismo.
- E o pensamento que se opõe ao complexo, o binário, que é o que as máquinas entendem e que predomina hoje?
- É a luz acesa ou apagada no interruptor. É muito bom para as máquinas, mas eu não penso desse jeito. O cérebro humano não funciona dessa maneira. O homem não pode ser visto como um circuito elétrico de seu cérebro.

- Trazendo a discussão para um tema atual, a internet como é vista pelo pensamento complexo?
- A internet é uma inteligência da máquina e é uma projeção sobre a máquina da inteligência humana. A internet tem grandes potencialidades, mas tem a ambigüidade com relação ao bem e ao mal. Informação de mais endoida e de menos abestalha. Daí a importância da leitura. A internet pode colaborar na participação, como fez Obama que acionou a humanidade através da internet e ganhou gastando muito menos que a oposição.

- Mas a importância da internet hoje não é mais discutível, uma vez que ela se mostrou fundamental para o homem, pelo menos como ferramenta de comunicação?
-É um fator que poderia ser muito mais importante na construção da humanidade, mas que está sendo utilizado muito mais na transferência de dinheiro – circuito econômico internacional – e no circuito da droga, da espionagem e da pedofilia.

- Volta tudo a uma questão de princípios?
- É isso aí que a gente não sabe mais. A própria lei está desatualizada em relação aos crimes na internet. Um garoto entra no Pentágono, no Exército e através de pequenos recursos e de sua competência num computador doméstico pode cometer crimes e até provocar um desastre financeiro internacional.

- A internet não seria um retrato completo do pensamento complexo?
- Não necessariamente. Para a gente entender o pensamento complexo, a idéia do tecido é fundamental, mas o pensamento complexo tem que articular aquilo que está separado e a informática separa o que está articulado. Você pode usar a informática se tem o espírito crítico,. não para copiar/colar.

- O problema continua sendo a capacidade de selecionar, a escolha pela qualidade?
- Informação de mais não dá. A questão não é a quantidade, porque está tudo aí de graça na internet. A questão é o senso crítico, como utilizar, o senso crítico. E isso é educação no sentido positivo.

- E a questão econômica como se insere nesse contexto?
- Lula está imitando os Estados Unidos, o modelo que não deu certo. Fala-se hoje em decrescimento. A China está tentando diminuir o crescimento par anão estourar. O decrescimento seria diminuir a quantidade de consumo de energia, porque ensinaram pra gente que esses recursos são infinitos e eles não são.

- O que se deve fazer, então diante de tantos desafios econômicos que o Brasil enfrenta para continuar se desenvolvendo?
- O importante é a gente imaginar a economia como um ser vivo. Estamos vivendo dos minerais, que não se repõem. A verdade é que podemos viver muito melhor gastando uma quantidade menor de matéria prima e energia.

- Como conciliar geração de energia, crescimento, extração de recursos minerais e a questão de ordem do momento que é a preservação ecológica?
- Às vezes, se exagera na questão ecológica, com a bandeira verde. Hoje tudo é verde, tudo é bio, é ecológico. Temos que ter um senso crítico. Temos que ter um pensamento equilibrado contra o excesso do consumismo Não se pode ter carregador de celular com tipos de entrada diferentes. Na Europa vai ser só um tipo, comum a todos. Já imaginou quanto se gasta para produzir um carregador e diferenciá-lo dos outros só pelo plug? Tem que se racional.

- Ecologia e economia combinam?
- A uma tendência de se passar da ecologia para a economia. As duas palavras vêm do grego “oikos”, a vida, a casa. Então, a casa da humanidade está à deriva com esse modelo econômico, porque não temos para onde ir. Estamos imitando um modelo de civilização suicida. Esse modelo não resolveu o problema de ninguém, nem nos Estados Unidos nem na Europa.

- A saída é a procura permanente pelo conhecimento?
- Conhece significa viver. O conhecimento é um atributo da vida. A vida conhece para se manter e a gente não sabe o que é a vida. Antigamente a teologia dizia que o conhecimento é um atributo de Deus e o homem se aproxima de Deus para conhecer. Hoje em dia essa visão está totalmente deformada. E um dos fatores é a questão de se separar “A” é causa de “B”. Você foi quem disse. E “A” não é causado não?

-Como conciliar tecnologia, ciência, filosofia? Consumo, eficiência e explicações existenciais?
- Não existe ciência sem tecnologia. A ciência já está englobada. Tudo isso é meio. Quando se visa resultados, isso faz com que se confunda resultados com os fins. Qual o objetivo do homem na Terra? Veio de onde e para onde vai? A tecnologia não elabora a finalidade. Perdeu-se de vista quais são os objetivos da civilização, que só tem meios tecnológicos. Os fins são: a democracia, a fraternidade, a igualdade.
Luiz Carlos Sousa

A morte da crítica?

Ivaldo Gomes


Tem um pensamento que gosto muito e que usei por alguns meses no rodapé de uma página ‘on line’ que editava chamada Livre Pensar que dizia o seguinte: “Sem liberdade de criticar, não existe elogio sincero”. Beaumarchais (1). Pois bem, esse libertário dramaturgo francês nascido no século XVIII, defendia a crítica sincera como uma forma de fazer avançar o pensamento humano. Entendia ele que se não temos o direito de criticar de forma sincera, de nada vale os elogios feitos. Hoje em dia continua muito atual sua preocupação. Pois alguns defensores dos atuais dirigentes da política na Paraíba ficam abespinhados com as críticas que fazemos aos seus chefes de plantão.

Eu até entendo (não aceito) que eles façam a defesa do chefe, mas deviam, até por uma questão de decência, de honestidade mesmo, informar aos seus possíveis leitores, que eles recebem do erário público para fazer esse tipo de defesa. Até porque com o rabo preso no cargo de confiança não poderia ser diferente. Continuo me esforçando para ficar justamente do outro lado desse balcão de negócios em que se transformou a administração pública na Paraíba. Faço questão de não ser da ‘confiança’ desses senhores e senhoras, que confunde o público com o privado, apesar de todo esse discurso de impessoalidade hoje tão em voga. Esse discurso não sobrevive a uma simples olhadela nos nomes e na forma de como esses cargos de ‘confiança’ foram escolhidos.

A falta crônica da crítica nas coisas da cidade de João Pessoa e do nosso Estado da Paraíba está virando uma epidemia que a todos acomete. Alguns, por questões que só suas consciências conseguem explicar, só sabem fazer o elogio insincero ou optam por eleger apenas um lado da moeda de troca para desancar com suas críticas. E o pior é que o ‘esquema’ que ele apóia (protege) sofre das mesmas mazelas, mas eles só conseguem ver o mesmo lado do cordão encarnado ou azul que assumiram defender.
Essa relação de dependência financeira com os elogiados é o que se tem mais visto por aqui. A contratação de ‘assessores’ com o dinheiro público - não para fazer o público entender o quê de fato se passa na real administração - mas para dourar a ‘pírula’ e deixar o chefe bem na foto. Essa falta de criticidade tem levado alguns as raias da inconseqüência quando os mesmos ficam cegos em não ver os prejuízos causados a olhos vistos por seus chefetes de ocasião, mesmo que com isso até o seu meio ambiente fique atingido. Digo isso me referindo a muitos que lidam com a imprensa na Paraíba, que moram na praia do Cabo Branco e não conseguem nem balbuciar uma palavra e nem tão pouco vê o estado de abandono que aquele recanto aprazível da nossa cidade se encontra.

A falta de uma crítica sincera tem levado ao engodo, a enganação, a propaganda enganosa, que visa dá a realidade coisas que nela não existe. É muito estranho ver a cidade empestada de outdoors louvando a impessoalidade do prefeito desta linda cidade e não ver em nenhum canto uma única crítica a esse estado de egolatria exacerbado. Parece que se quer criar um novo Dulce, a lá Mussolini, onde a repetição da pessoalidade, colados no discurso de que ‘nunca fomos tão felizardos’ em ter a magnânima presença dos atuais dirigentes governamentais, seja no município de João Pessoa, seja em Campina Grande ou na direção do nosso Estado vegetativo. Está cansando a nossa inteligência.

As técnicas rudimentares de se repetir os bordões, além de ser uma arma autoritária e nazista, é também a ponta o iceberg por onde vão derreter toda essa propaganda, marketing, merchendaising político, que se tenta fazer dessas figuras, que apesar de terem amealhado apoios populares, agem como se fossem uns ditadores impondo sua vontade e seu jeito de pensar. Joseph Goobels, propagandista e coordenador de comunicação de Adolf Hitler, criou a máxima de que ‘se repita uma mentira milhares de vezes e ela passará a ser vista como verdade’. Só que ele se esqueceu de dizer – ou omitiu por puro ato falho – que essas mentiras não podem sobreviver todo tempo e para todo mundo. Pois se podem enganar alguns por algum tempo, mas todo mundo o tempo todo é impossível.


Portanto, criticar ainda é a melhor maneira de contribuir com o possível e frágil controle social que a sociedade civil – organizada ou não – poderá ainda fazer de bem a todo esse estado de coisas que estão ai. Se com a gente criticando, controlando, fiscalizando, as coisas acontecem dessa maneira, com milhares de escândalos todos os anos, imagine se ficássemos calados como querem os ‘assessores’ pagos com o nosso erário público? Imagine quais as versões que esses ‘assessores’ não nos impingiriam se pudessem mascarar a realidade todos os dias e todas as horas como eles acham que podem?

Vamos continuar no exercício democrático da crítica sincera, para que até os elogios, quando tivermos que fazê-los, sejam também sinceros. Pois de enganação, falsos messias e salvadores da pátria estamos todos de saco cheio. Acho que de ovário também. Seria bom que mesmo os poucos críticos de plantão, ao fazerem suas críticas, dissessem também como andam suas ligações com esse mundo do poder por aqui. Até, repito, para que a crítica tenha alguma credibilidade. Pois ‘sem liberdade de criticar, não existe elogio sincero’.

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(1) Veja mais sobre: Beaumarchais - É a imagem de seu século: um homem versátil apaixonado pela liberdade, os conhecimentos e a ação.
Pierre-Augustin Caron de Beaumarchais - Wikipédia

Aprendendo a aprender, sempre.

Como vocês estão vendo eu estou tentando utilizar esse mecanismo de comunicação chamado blog e ainda apanho um pouco. Quero colocar um selo que o designe e fotógrafo Guy Joseph fez pra lista Livre Pensar, muito bonito e ainda não consegui fazê-lo. Tentei hoje criar uma lista de endereços que vale a pena várias visitas e quando achei que tinha colocado todos eles direitinho não apareceram na tela do blog. Mas eu vou descobrir como se faz tudo isso. Por favor perdoem os erros de quem não tem esse conhecimento todo de informática. Gosto mesmo e acho que sei um pouco escrever e fazer circular informações. Isso sempre me bastou para sobreviver na internet. Mas os recursos estão cada vez mais complexos e simples. Ironia? Não, modernidade mesmo. Mas vão desculpando as tentativas e erros.
Um abraço,
Ivaldo Gomes