Ivaldo Gomes
Faça o bem,
Sem olhar a quem.
Assim é o preceito.
Sem preconceito,
Sempre o bem.
Faça o bem,
Sem olhar a quem.
Faça por fazer.
Por ser natural,
Sem ser banal,
Ser real, afinal,
O que seria
Da gente sem
O outro?
Falo do outro,
Aquele/a que você,
Se identifica.
Homem/Mulher,
Dia/Noite.
Pobreza/Opulência.
Faça.
Faça o possível
Para que você seja
Um instrumento
De bondade.
Faça e pronto.
Mas faça.
Do seu jeito.
Tenha a consciência
De que faz.
E isso basta.
Pois foi feito.
Bem feito.
Ajude ao alcance
Da sua mão.
segunda-feira, 9 de agosto de 2010
sábado, 7 de agosto de 2010
Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer
A maior e mais insana atitude humana.
Um abraço,
Ivaldo Gomes
Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer
da Redação em 22/07/10 - Fonte: http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/07/hiroshima-e-nagasaki-um-agosto-para-nunca-esquecer/
A Associação Paulista de Medicina (APM) realiza entre 2 de agosto e 3O de setembro, a mostra “Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer!”. São 30 pôsteres com imagens e textos informativos e cinco DVDs que reúnem testemunhos dos sobreviventes, documentários e animações japonesas. A entrada é Catraca Livre.
fotos: divulgação
Hiroshima e Nagasaki
A Associação Paulista de Medicina (APM) realiza entre 2 de agosto e 3O de setembro, a mostra “Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer!”.
São 30 pôsteres com imagens e textos informativos e cinco DVDs que reúnem testemunhos dos sobreviventes, documentários e animações japonesas. A entrada é Catraca Livre e as visitas devem ser agendadas.
De acordo com Milton Massato Hida, um dos colaboradores da exposição, o intuito, além de relembrar as consequências da tragédia, é homenagear os sobreviventes que moram no Brasil, incentivar a abolição das armas nucleares e celebrar a paz.
Bombardeios
Leia Mais
Animação mostra a tragédia provocada pela bomba atômica sobre Hiroshima
O lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki ocorreu no final da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente. Estima-se que cerca de 220 mil pessoas foram mortas nos ataques, e outros milhares sofreram graves sequelas pela exposição à radiação.
Um abraço,
Ivaldo Gomes
Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer
da Redação em 22/07/10 - Fonte: http://catracalivre.folha.uol.com.br/2010/07/hiroshima-e-nagasaki-um-agosto-para-nunca-esquecer/
A Associação Paulista de Medicina (APM) realiza entre 2 de agosto e 3O de setembro, a mostra “Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer!”. São 30 pôsteres com imagens e textos informativos e cinco DVDs que reúnem testemunhos dos sobreviventes, documentários e animações japonesas. A entrada é Catraca Livre.
fotos: divulgação
Hiroshima e Nagasaki
A Associação Paulista de Medicina (APM) realiza entre 2 de agosto e 3O de setembro, a mostra “Hiroshima e Nagasaki: um agosto para nunca esquecer!”.
São 30 pôsteres com imagens e textos informativos e cinco DVDs que reúnem testemunhos dos sobreviventes, documentários e animações japonesas. A entrada é Catraca Livre e as visitas devem ser agendadas.
De acordo com Milton Massato Hida, um dos colaboradores da exposição, o intuito, além de relembrar as consequências da tragédia, é homenagear os sobreviventes que moram no Brasil, incentivar a abolição das armas nucleares e celebrar a paz.
Bombardeios
Leia Mais
Animação mostra a tragédia provocada pela bomba atômica sobre Hiroshima
O lançamento das bombas atômicas nas cidades de Hiroshima e Nagasaki ocorreu no final da Segunda Guerra Mundial, em 6 e 9 de agosto de 1945, respectivamente. Estima-se que cerca de 220 mil pessoas foram mortas nos ataques, e outros milhares sofreram graves sequelas pela exposição à radiação.
sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Hoje 06 de agosto de 2010 centenário de Adoniran Barbosa
Mate a saudade: http://www.youtube.com/watch?v=Ea5nMXIRxQM
Adoniran: o rosto de São Paulo
Fonte: http://www.adoniranbarbosa.com.br/
Se toda a diversidade cultural e as contradições de São Paulo pudessem ser resumidas e encerradas em um só rosto, este certamente viria sob um nostálgico chapéu de feltro e acima de uma indefectível gravata-borboleta. Paulistano de Valinhos, Adoniran Barbosa incorporou e difundiu as vertentes, as tendências e as realidades - suaves e doloridas - de sua terra e de sua gente.
O criativo Barbosinha, porém, não se contentaria em repetir fórmulas. Atuando no rádio, no cinema, na televisão, no circo e na música, legou digitais indeléveis na cultura bandeirante, peculiares marcas que não demorariam a se espalhar, tentacularmente, por todo o país - em especial nas estações ferroviárias, onde centenas de “não posso ficar” seguem ecoando pelos trilhos.
Artista popular no mais popular dos sentidos, Adoniran extraiu da cidade inspiração para compor suas canções e seus personagens. E são eles a garantia de que, ainda que o “pogréssio” jogue contra, São Paulo seguirá aproveitando a sabedoria do velho boêmio para renovar-se com graça e ironia em sua perene troca de identidade - assim como o cidadão João Rubinato, ou Charutinho, ou Zé Conversa, ou Adoniran, o fez tantas vezes.
Guia do centenário
Um centenário multimídia, à moda de Adoniran
Shows, livro, CD e documentários para comemorar os 100 anos do artista
No ano do centenário de Adoniran Barbosa, uma série de produções, eventos e realizações celebra o artista, resgatando e divulgando para as novas gerações sua vida e sua obra. E, ao melhor estilo do mestre, que brilhou na música, no rádio, no cinema, na TV e no circo, entre outras, as homenagens são também multimídia.
Na música, nomes como Paulo Vanzolini, Carlinhos Vergueiro, Maria Alcina e Cristina Buarque já subiram ao palco no primeiro semestre para soltar a voz em shows-tributo a Adoniran. Diversas apresentações musicais estão programadas ao longo do ano – siga o site oficial e o Twitter do Adoniran para não perder nenhuma delas.
No início de maio, chega às lojas o CD Adoniran 100 anos, da gravadora Lua Music, com produção de Thiago Marques Luiz. São 24 canções do compositor, interpretadas por uma constelação de nomes da nova geração e da velha guarda – Jair Rodrigues, Arnaldo Antunes, Wanderléa, Cauby Peixoto, Dominguinhos, Leci Brandão, Fabiana Cozza, Demônios da Garoa, Quinteto em Branco e Preto, Diogo Poças, Verônica Ferriani, e por aí vai.
No mundo das letras, já está nas livrarias a edição comemorativa do livro Adoniran – Uma Biografia, do jornalista Celso de Campos Jr (Editora Globo). Ampliada, a biografia traz roteiros originais do programa Histórias das Malocas, sucesso no rádio paulista nos anos 1950 e 60, escritos por Osvaldo Moles e estrelados por Adoniran, em seu célebre papel de Charutinho.
No segundo semestre, a MOJO Books lança o Almanaque Adoniran, histórias em quadrinhos, passatempos, crônicas e outras atrações inéditas assinadas por grandes nomes das artes populares.
Nas telas, a Rede Globo de Televisão exibe, no segundo semestre, o especial Por Toda Minha Vida em homenagem a Adoniran Barbosa. As produtoras Boitatá e a Ioiô Filmes preparam um documentário sobre o artista, a cargo das diretoras Aline Sasahara e Vange Milliet.
Nos palcos, está em produção um musical, dirigido por Rubens Ewald Filho, e uma releitura músico-teatral do programa Histórias das Malocas, a cargo do Instituto de Artes do Brasil, com direção de Nanah Pereira.
Para unificar e chancelar as comemorações, a comissão do centenário lançou um logo comemorativo, criado pela designer Tatiana Rizzo, que une elementos gráficos do artista e da cidade de São Paulo que ele tanto cantou em suas músicas. Se você planeja alguma homenagem ao Adoniran e quer usar o selo comemorativo em seu material, escreva-nos: eventos@adoniran.com.br.
Adoniran: o rosto de São Paulo
Fonte: http://www.adoniranbarbosa.com.br/
Se toda a diversidade cultural e as contradições de São Paulo pudessem ser resumidas e encerradas em um só rosto, este certamente viria sob um nostálgico chapéu de feltro e acima de uma indefectível gravata-borboleta. Paulistano de Valinhos, Adoniran Barbosa incorporou e difundiu as vertentes, as tendências e as realidades - suaves e doloridas - de sua terra e de sua gente.
O criativo Barbosinha, porém, não se contentaria em repetir fórmulas. Atuando no rádio, no cinema, na televisão, no circo e na música, legou digitais indeléveis na cultura bandeirante, peculiares marcas que não demorariam a se espalhar, tentacularmente, por todo o país - em especial nas estações ferroviárias, onde centenas de “não posso ficar” seguem ecoando pelos trilhos.
Artista popular no mais popular dos sentidos, Adoniran extraiu da cidade inspiração para compor suas canções e seus personagens. E são eles a garantia de que, ainda que o “pogréssio” jogue contra, São Paulo seguirá aproveitando a sabedoria do velho boêmio para renovar-se com graça e ironia em sua perene troca de identidade - assim como o cidadão João Rubinato, ou Charutinho, ou Zé Conversa, ou Adoniran, o fez tantas vezes.
Guia do centenário
Um centenário multimídia, à moda de Adoniran
Shows, livro, CD e documentários para comemorar os 100 anos do artista
No ano do centenário de Adoniran Barbosa, uma série de produções, eventos e realizações celebra o artista, resgatando e divulgando para as novas gerações sua vida e sua obra. E, ao melhor estilo do mestre, que brilhou na música, no rádio, no cinema, na TV e no circo, entre outras, as homenagens são também multimídia.
Na música, nomes como Paulo Vanzolini, Carlinhos Vergueiro, Maria Alcina e Cristina Buarque já subiram ao palco no primeiro semestre para soltar a voz em shows-tributo a Adoniran. Diversas apresentações musicais estão programadas ao longo do ano – siga o site oficial e o Twitter do Adoniran para não perder nenhuma delas.
No início de maio, chega às lojas o CD Adoniran 100 anos, da gravadora Lua Music, com produção de Thiago Marques Luiz. São 24 canções do compositor, interpretadas por uma constelação de nomes da nova geração e da velha guarda – Jair Rodrigues, Arnaldo Antunes, Wanderléa, Cauby Peixoto, Dominguinhos, Leci Brandão, Fabiana Cozza, Demônios da Garoa, Quinteto em Branco e Preto, Diogo Poças, Verônica Ferriani, e por aí vai.
No mundo das letras, já está nas livrarias a edição comemorativa do livro Adoniran – Uma Biografia, do jornalista Celso de Campos Jr (Editora Globo). Ampliada, a biografia traz roteiros originais do programa Histórias das Malocas, sucesso no rádio paulista nos anos 1950 e 60, escritos por Osvaldo Moles e estrelados por Adoniran, em seu célebre papel de Charutinho.
No segundo semestre, a MOJO Books lança o Almanaque Adoniran, histórias em quadrinhos, passatempos, crônicas e outras atrações inéditas assinadas por grandes nomes das artes populares.
Nas telas, a Rede Globo de Televisão exibe, no segundo semestre, o especial Por Toda Minha Vida em homenagem a Adoniran Barbosa. As produtoras Boitatá e a Ioiô Filmes preparam um documentário sobre o artista, a cargo das diretoras Aline Sasahara e Vange Milliet.
Nos palcos, está em produção um musical, dirigido por Rubens Ewald Filho, e uma releitura músico-teatral do programa Histórias das Malocas, a cargo do Instituto de Artes do Brasil, com direção de Nanah Pereira.
Para unificar e chancelar as comemorações, a comissão do centenário lançou um logo comemorativo, criado pela designer Tatiana Rizzo, que une elementos gráficos do artista e da cidade de São Paulo que ele tanto cantou em suas músicas. Se você planeja alguma homenagem ao Adoniran e quer usar o selo comemorativo em seu material, escreva-nos: eventos@adoniran.com.br.
quarta-feira, 4 de agosto de 2010
Pesquisa revela número da violência contra a mulher na Paraíba
As mulheres e nem ninguém precisa disso. Chega! Precisamos enquadrar esses violentos. Mais educação também ajudaria muito. Quem sabe melhor divisão de renda. Mais acesso, inclusão social. Mas a violência tem que ser combatida, denunciada, cobrada providências.
Um abraço,
Ivaldo Gomes
João Pessoa, 04/08/2010 - 08h17
CRIME
Pesquisa revela número da violência contra a mulher na Paraíba
Os dados correspondem aos atendimentos
Fonte: http://www.maispb.com.br/artigo.php?id_artigo=20100804081838
Os relatos de ameaça e a não dependência financeira de seus agressores são os principais destaques do perfil da violência doméstica da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). Os dados são inéditos e correspondem aos atendimentos de janeiro a junho deste ano. Nesse período, o Ligue 180 registrou 343.063 atendimentos - um aumento de 112% em relação ao mesmo período de 2009 (161.774).
As ameaças foram verificadas em 8.913 situações. É a segunda maior manifestação de crime relatado pelas cidadãs que acessam a Central, precedida apenas pelo crime de lesão corporal. Das pessoas que entraram em contato com o serviço, 14,7% disseram que a violência sofrida era exercida por ex-namorado ou ex-companheiro, 57,9% estão casadas ou em união estável e em 72,1% dos casos, as mulheres relatam que vivem junto com o agressor. Cerca de 39,6% declararam que sofrem violência desde o início da relação; 38% relataram que o tempo de vida conjugal é acima de 10 anos; e 57% sofrem violência diariamente. Em 50,3% dos casos, a mulheres dizem correr risco de morte. Os crimes de ameaça somados à lesão corporal representam cerca de 70,0% dos registros do Ligue 180. Dados da Segurança Pública também apontam estes dois crimes como os de maior incidência nas Delegacias. O percentual de mulheres que declaram não depender financeiramente do agressor é de 69,7%. Os números mostram que 68,1% dos filhos presenciam a violência e 16,2% sofrem violência junto com a mãe.
“A voz de uma mulher que reporta estar sendo ameaçada tem de ter credibilidade. Pois só a vítima é quem tem a real dimensão do risco que corre”, declarou a subsecretária Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da SPM, Aparecida Gonçalves.
Ranking nacional - Em números absolutos, São Paulo lidera o ranking com 47.107 atendimentos, seguido pela Bahia com 32.358. Em terceiro lugar aparece o Rio de Janeiro com 25.274 dos registros. A procura pelo Ligue 180 é espontânea e o volume de ligações não se relaciona diretamente com a incidência de crimes ou violência. A busca pelo serviço reflete a um maior acesso da população a meios de comunicação, vontade de se manifestar acerca do fenômeno da violência de gênero, ao fortalecimento da rede de atendimento às mulheres e ao empoderamento da população feminina local.
População feminina - Quando considerada a quantidade de atendimentos relativos à população feminina de cada estado, o Distrito Federal é a unidade da federação que mais entrou em contato com a Central, com 267 atendimentos para cada 50 mil mulheres. Em segundo lugar aparece o Tocantins com 245 e em terceiro, o Pará, com 237.
Lei Maria da Penha - Do total de informações prestadas pela Central (67.040), 50% correspondem à Lei Maria da Penha (33.394). Durante os quatro anos de existência, o Ligue 180 registrou 1.266.941 atendimentos. Desses, 30% correspondem a informações sobre a legislação (371.537).
Tipos de violência - Dos 62.301 relatos de violência, 36.059 correspondem à violência física; 16.071, à violência psicológica; 7.597 à violência moral; 826 à violência patrimonial; e 1.280 à violência sexual, além de 229 situações de tráfico e 239 casos de cárcere privado.
Perfil das mulheres - A maioria das mulheres que ligam para a Central têm entre 25 e 50 anos (67,3%) e com nível fundamental (48,3%) de escolaridade.
Perfil dos agressores - A maioria dos agressores têm entre 20 e 45 anos (73,4%) e com nível fundamental (55,3%) de escolaridade.
MAISPB com Assessoria
Um abraço,
Ivaldo Gomes
João Pessoa, 04/08/2010 - 08h17
CRIME
Pesquisa revela número da violência contra a mulher na Paraíba
Os dados correspondem aos atendimentos
Fonte: http://www.maispb.com.br/artigo.php?id_artigo=20100804081838
Os relatos de ameaça e a não dependência financeira de seus agressores são os principais destaques do perfil da violência doméstica da Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180, da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM). Os dados são inéditos e correspondem aos atendimentos de janeiro a junho deste ano. Nesse período, o Ligue 180 registrou 343.063 atendimentos - um aumento de 112% em relação ao mesmo período de 2009 (161.774).
As ameaças foram verificadas em 8.913 situações. É a segunda maior manifestação de crime relatado pelas cidadãs que acessam a Central, precedida apenas pelo crime de lesão corporal. Das pessoas que entraram em contato com o serviço, 14,7% disseram que a violência sofrida era exercida por ex-namorado ou ex-companheiro, 57,9% estão casadas ou em união estável e em 72,1% dos casos, as mulheres relatam que vivem junto com o agressor. Cerca de 39,6% declararam que sofrem violência desde o início da relação; 38% relataram que o tempo de vida conjugal é acima de 10 anos; e 57% sofrem violência diariamente. Em 50,3% dos casos, a mulheres dizem correr risco de morte. Os crimes de ameaça somados à lesão corporal representam cerca de 70,0% dos registros do Ligue 180. Dados da Segurança Pública também apontam estes dois crimes como os de maior incidência nas Delegacias. O percentual de mulheres que declaram não depender financeiramente do agressor é de 69,7%. Os números mostram que 68,1% dos filhos presenciam a violência e 16,2% sofrem violência junto com a mãe.
“A voz de uma mulher que reporta estar sendo ameaçada tem de ter credibilidade. Pois só a vítima é quem tem a real dimensão do risco que corre”, declarou a subsecretária Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da SPM, Aparecida Gonçalves.
Ranking nacional - Em números absolutos, São Paulo lidera o ranking com 47.107 atendimentos, seguido pela Bahia com 32.358. Em terceiro lugar aparece o Rio de Janeiro com 25.274 dos registros. A procura pelo Ligue 180 é espontânea e o volume de ligações não se relaciona diretamente com a incidência de crimes ou violência. A busca pelo serviço reflete a um maior acesso da população a meios de comunicação, vontade de se manifestar acerca do fenômeno da violência de gênero, ao fortalecimento da rede de atendimento às mulheres e ao empoderamento da população feminina local.
População feminina - Quando considerada a quantidade de atendimentos relativos à população feminina de cada estado, o Distrito Federal é a unidade da federação que mais entrou em contato com a Central, com 267 atendimentos para cada 50 mil mulheres. Em segundo lugar aparece o Tocantins com 245 e em terceiro, o Pará, com 237.
Lei Maria da Penha - Do total de informações prestadas pela Central (67.040), 50% correspondem à Lei Maria da Penha (33.394). Durante os quatro anos de existência, o Ligue 180 registrou 1.266.941 atendimentos. Desses, 30% correspondem a informações sobre a legislação (371.537).
Tipos de violência - Dos 62.301 relatos de violência, 36.059 correspondem à violência física; 16.071, à violência psicológica; 7.597 à violência moral; 826 à violência patrimonial; e 1.280 à violência sexual, além de 229 situações de tráfico e 239 casos de cárcere privado.
Perfil das mulheres - A maioria das mulheres que ligam para a Central têm entre 25 e 50 anos (67,3%) e com nível fundamental (48,3%) de escolaridade.
Perfil dos agressores - A maioria dos agressores têm entre 20 e 45 anos (73,4%) e com nível fundamental (55,3%) de escolaridade.
MAISPB com Assessoria
Nem esquerda nem direita
Carlos Aranha vai na mosca. Excelente artigo.
Partido hoje, nos parece que apenas o Partido Alto
Um abraço,
Ivaldo Gomes
colunista.carlos.aranha.jpg
Opinião
por: Carlos Aranha
Quarta, 4 de Agosto de 2010 - 06h00- Fonte: http://www.portalcorreio.com.br/jornalcorreio/colunaLer.asp?columnId=105
Nem esquerda nem direita
São fantasmagóricas, estúpidas, defasadas e delirantes as tentativas de situarem as atuais campanhas eleitorais nos espectros da esquerda e da direita, já que o último pôr-do-sol desse tipo de confronto foi quando, com diferentes projetos de poder, Lula e Brizola juntaram-se no segundo turno de 1989 contra Collor. Ali, sim, havia um claro confronto esquerda-direita e, por isso, foi a eleição em que a Rede Globo mais empenhou-se, ajudando-a a defini-la quando fez a famosa montagem do debate Lula-Collor no “Jornal Nacional” do dia seguinte.
A maior demonstração de que o confronto acabou é a de que hoje Lula e Collor são aliados em Alagoas e na eleição para o Planalto, enquanto o PDT, fundado por Brizola, espatifa-se sem identidade fazendo qualquer tipo de aliança dependendo da situação de cada um de seus Diretórios Estaduais. O PDT dá apoio a Dilma Rousseff para a presidência e, nos Estados, exercita - de acordo com as conveniências encontradas - o InTR, o Índice da Traição.
Na eleição presidencial, os últimos ecos dos tambores ideológicos estão flutuando nos corredores do PSOL, PSTU, PCO e PCB (já que o PC do B está na aliança dilmista, o PSS é ex-comunista e dá apoio a José Serra e o PSB largou de vez o socialismo desde que Miguel Arraes morreu).
Enfim, há um profundo erro conceitual em colocar Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva nos espectros da esquerda ou da direita. Dilma e Serra, com suas posições neoliberais na economia, há muito jogaram no lixo o vestuário esquerdista. Também não estão à direita, pois conservam princípios humanistas essenciais e preocupam-se com projetos sociais. Marina, à maneira de Lula, nunca foi “de esquerda”, mas sindicalista. A ex-Ministra e o atual Presidente jamais estiveram à esquerda ou à direita.
Completando a desideoligização destas eleições, basta analisar as alianças feitas em quase todos os Estados, liberadas que foram com a união do PT e PMDB (Dilma) e do PSDB e DEM (Serra). União da social-democracia (PT e PSDB) com o centro-direita (PMDB e DEM).
Partido hoje, nos parece que apenas o Partido Alto
Um abraço,
Ivaldo Gomes
colunista.carlos.aranha.jpg
Opinião
por: Carlos Aranha
Quarta, 4 de Agosto de 2010 - 06h00- Fonte: http://www.portalcorreio.com.br/jornalcorreio/colunaLer.asp?columnId=105
Nem esquerda nem direita
São fantasmagóricas, estúpidas, defasadas e delirantes as tentativas de situarem as atuais campanhas eleitorais nos espectros da esquerda e da direita, já que o último pôr-do-sol desse tipo de confronto foi quando, com diferentes projetos de poder, Lula e Brizola juntaram-se no segundo turno de 1989 contra Collor. Ali, sim, havia um claro confronto esquerda-direita e, por isso, foi a eleição em que a Rede Globo mais empenhou-se, ajudando-a a defini-la quando fez a famosa montagem do debate Lula-Collor no “Jornal Nacional” do dia seguinte.
A maior demonstração de que o confronto acabou é a de que hoje Lula e Collor são aliados em Alagoas e na eleição para o Planalto, enquanto o PDT, fundado por Brizola, espatifa-se sem identidade fazendo qualquer tipo de aliança dependendo da situação de cada um de seus Diretórios Estaduais. O PDT dá apoio a Dilma Rousseff para a presidência e, nos Estados, exercita - de acordo com as conveniências encontradas - o InTR, o Índice da Traição.
Na eleição presidencial, os últimos ecos dos tambores ideológicos estão flutuando nos corredores do PSOL, PSTU, PCO e PCB (já que o PC do B está na aliança dilmista, o PSS é ex-comunista e dá apoio a José Serra e o PSB largou de vez o socialismo desde que Miguel Arraes morreu).
Enfim, há um profundo erro conceitual em colocar Dilma Rousseff, José Serra e Marina Silva nos espectros da esquerda ou da direita. Dilma e Serra, com suas posições neoliberais na economia, há muito jogaram no lixo o vestuário esquerdista. Também não estão à direita, pois conservam princípios humanistas essenciais e preocupam-se com projetos sociais. Marina, à maneira de Lula, nunca foi “de esquerda”, mas sindicalista. A ex-Ministra e o atual Presidente jamais estiveram à esquerda ou à direita.
Completando a desideoligização destas eleições, basta analisar as alianças feitas em quase todos os Estados, liberadas que foram com a união do PT e PMDB (Dilma) e do PSDB e DEM (Serra). União da social-democracia (PT e PSDB) com o centro-direita (PMDB e DEM).
terça-feira, 3 de agosto de 2010
Hospital fecha portas
Quando você fecha um hospital,
você abre a porta pra morte entrar.
Quando você fecha uma escola,
você abre a porta para a marginalização.
Quando você pendura a placa 'Não há Vagas',
você joga muitos na miséria.
Quando você se elege mentindo,
você fecha o hospital, a escola,
o trabalho, a vida.
Ai eu lhe pergunto:
Governo pra quê?
Só nos resta a rebelião.
E é isso que temos que fazer.
Um abraço,
Ivaldo Gomes
Hospital fecha portas
Jornalista Giovanni Meireles - Fonte: http://www.pbagora.com.br/coluna.php?id=20100802212513&cat=politica&keys=hospital-fecha-portas
Hospital fecha portas
Nesta segunda-feira pela manhã, o Hospital Santa Cecília, localizado na cidade de Mari, fechou as portas definitivamente, devido à crise financeira que abalou a estrutura administrativa da unidade ambulatorial.
Demissão em massa
Foram demitidos 19 funcionários (entre clínicos, obstetras, enfermeiros, atendentes, farmacêuticos, nutricionistas, auxiliares de limpeza, cozinheiros, etc), deixando seis cidades sem assistência médica básica e de urgência: Mari, Sapé, Caldas Brandão, Riachão do Poço, Sobrado e Gurinhém.
Corte financeiro
Os recursos que o hospital recebia não passavam da quantia de R$ 43 mil e – mesmo assim – foram suspensos. Houve uma audiência pública na Câmara Municipal, mas nada de concreto foi resolvido pelos vereadores.
Diretor decidiu parar
Por esse motivo, o médico Ivanildo Arruda (pai da cantora Renata Arruda) decidiu no último sábado, mandar fechar as portas da casa de saúde e demitir seus 19 funcionários, o que aconteceu na manhã desta segunda-feira.
Município busca solução
O prefeito Antônio Gomes (PSDB), ao tomar conhecimento do assunto, pediu à sua secretária municipal de Saúde para agendar uma audiência urgente com o secretário de Saúde do Estado, José Maria de França, para tentar encontrar uma fórmula de reabrir imediatamente o hospital. Ambos estão juntos, na foto acima.
Resposta imediata
Assim que tomou conhecimento da matéria divulgada na imprensa local pelos blogs de Fábio Mozart (www.fabiomozart.blogspot.com) e do professor Josa (www.professorjosa.com.br), o secretário estadual de Saúde, José Maria de França, fez os seguintes esclarecimentos:
Governo isento de culpa
– O Estado não cortou recursos destinados ao Hospital Santa Cecília. Os recursos que eram repassados mensalmente pelo Estado ao Hospital (R$ 35 mil) eram do Fundo Nacional de Saúde. E isso era feito, porque o município de Mari não tinha gestão plena de saúde.
Prefeitura assumiu SUS
– A partir do mês de junho, Mari adquiriu gestão plena e o dinheiro do Fundo Nacional de Saúde, destinado ao Município deixou de passar pelo Estado. Agora, os recursos federais para manutenção de todos os serviços de saúde de Mari caem direto na conta do Município (Fundo Municipal de Saúde).
Responsabilidade local
– Sendo assim, cabe ao município destinar um teto financeiro para cobrir as despesas com AIHs (Autorizações para Internações Hospitalares) e procedimentos ambulatoriais do Hospital Santa Cecília. Esta alteração na forma do repasse de recursos é normal em todo processo de mudança de gestão.
Verbas são federais
– A municipalização ou a gestão plena do sistema de saúde é uma tendência nacional e um avanço. Uma das vantagens é a descentralização dos recursos federais, que passam a ser repassados “fundo a fundo”, sem a intermediação do Estado.
Saída criativa
– Sendo gestor pleno de seu próprio sistema de saúde, o município de Mari poderá implantar ações inovadoras e modernizar o gerenciamento dos serviços de saúde.
Reabertura negociada
– Acredito que o Hospital Santa Cecília e o Município de Mari entrarão num acordo para manter a unidade funcionando ou encontrar uma solução para garantir a assistência da população que depende do hospital.
você abre a porta pra morte entrar.
Quando você fecha uma escola,
você abre a porta para a marginalização.
Quando você pendura a placa 'Não há Vagas',
você joga muitos na miséria.
Quando você se elege mentindo,
você fecha o hospital, a escola,
o trabalho, a vida.
Ai eu lhe pergunto:
Governo pra quê?
Só nos resta a rebelião.
E é isso que temos que fazer.
Um abraço,
Ivaldo Gomes
Hospital fecha portas
Jornalista Giovanni Meireles - Fonte: http://www.pbagora.com.br/coluna.php?id=20100802212513&cat=politica&keys=hospital-fecha-portas
Hospital fecha portas
Nesta segunda-feira pela manhã, o Hospital Santa Cecília, localizado na cidade de Mari, fechou as portas definitivamente, devido à crise financeira que abalou a estrutura administrativa da unidade ambulatorial.
Demissão em massa
Foram demitidos 19 funcionários (entre clínicos, obstetras, enfermeiros, atendentes, farmacêuticos, nutricionistas, auxiliares de limpeza, cozinheiros, etc), deixando seis cidades sem assistência médica básica e de urgência: Mari, Sapé, Caldas Brandão, Riachão do Poço, Sobrado e Gurinhém.
Corte financeiro
Os recursos que o hospital recebia não passavam da quantia de R$ 43 mil e – mesmo assim – foram suspensos. Houve uma audiência pública na Câmara Municipal, mas nada de concreto foi resolvido pelos vereadores.
Diretor decidiu parar
Por esse motivo, o médico Ivanildo Arruda (pai da cantora Renata Arruda) decidiu no último sábado, mandar fechar as portas da casa de saúde e demitir seus 19 funcionários, o que aconteceu na manhã desta segunda-feira.
Município busca solução
O prefeito Antônio Gomes (PSDB), ao tomar conhecimento do assunto, pediu à sua secretária municipal de Saúde para agendar uma audiência urgente com o secretário de Saúde do Estado, José Maria de França, para tentar encontrar uma fórmula de reabrir imediatamente o hospital. Ambos estão juntos, na foto acima.
Resposta imediata
Assim que tomou conhecimento da matéria divulgada na imprensa local pelos blogs de Fábio Mozart (www.fabiomozart.blogspot.com) e do professor Josa (www.professorjosa.com.br), o secretário estadual de Saúde, José Maria de França, fez os seguintes esclarecimentos:
Governo isento de culpa
– O Estado não cortou recursos destinados ao Hospital Santa Cecília. Os recursos que eram repassados mensalmente pelo Estado ao Hospital (R$ 35 mil) eram do Fundo Nacional de Saúde. E isso era feito, porque o município de Mari não tinha gestão plena de saúde.
Prefeitura assumiu SUS
– A partir do mês de junho, Mari adquiriu gestão plena e o dinheiro do Fundo Nacional de Saúde, destinado ao Município deixou de passar pelo Estado. Agora, os recursos federais para manutenção de todos os serviços de saúde de Mari caem direto na conta do Município (Fundo Municipal de Saúde).
Responsabilidade local
– Sendo assim, cabe ao município destinar um teto financeiro para cobrir as despesas com AIHs (Autorizações para Internações Hospitalares) e procedimentos ambulatoriais do Hospital Santa Cecília. Esta alteração na forma do repasse de recursos é normal em todo processo de mudança de gestão.
Verbas são federais
– A municipalização ou a gestão plena do sistema de saúde é uma tendência nacional e um avanço. Uma das vantagens é a descentralização dos recursos federais, que passam a ser repassados “fundo a fundo”, sem a intermediação do Estado.
Saída criativa
– Sendo gestor pleno de seu próprio sistema de saúde, o município de Mari poderá implantar ações inovadoras e modernizar o gerenciamento dos serviços de saúde.
Reabertura negociada
– Acredito que o Hospital Santa Cecília e o Município de Mari entrarão num acordo para manter a unidade funcionando ou encontrar uma solução para garantir a assistência da população que depende do hospital.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
Estado cidadão é a ciberdemocracia
Domingo, 1 de Agosto de 2010 - Fonte: http://www.portalcorreio.com.br/jornalcorreio/matLer.asp?newsId=144749
Luiz Carlos Sousa
De tempos em tempos há previsões de verdadeiras revoluções que estão por vir. Não faltam arautos para anunciá-las. Difícil é compreendê-las e decifrá-las como faz o professor Flamarion Tavares Leite, doutor em Direito pela PUC/SP, quando o tema é a internet e o direito. Ele chega a prever a criação de uma cultura interconectada que abolirá diferenças nacionalistas e com um direito supra- estados. “Vejo um grande poder de transformação capaz de superar todas as diferenças”, acredita. Nessa conversa, que contou com a participação do filósofo Emerson Barros de Aguiar, o professor Flamarion fala de Kant, de ética e até da solidão dos que se escondem atrás de um teclado para se comunicar e buscar a felicidade.
A entrevista
- O senhor está coordenando a “Coleção 10 lições’, que tenta tornar mais acessível a obra de grandes pensadores, como Kant, Marx e Maquiavel. Como surgiu essa idéia de trazer a filosofia, a economia e a política para uma linguagem coloquial?
-Essa coleção teve origem no meu livro “10 lições sobre Kant”, que não pretendia, inicialmente, fazer parte de coleção. Depois, com a aceitação que teve do público, entramos em conversação – eu e a Editora Vozes - e pensamos que este livro poderia ser transformado em uma Coleção.
- O que proporcionou a transformação do livro “As 10 lições sobre Kant” no início de uma Coleção?
- A estruturação do livro, que tem um prefácio, uma introdução, as dez lições e uma conclusão com a bibliografia. Mas a principal característica é pinçar, nas lições, os conceitos centrais do pensamento do autor analisado, numa linguagem acessível que possa alcançar uma base ampliada de leitores.
- Apesar do trabalho já concluído e impresso a pergunta é: dá para reduzir Kant em 10 lições?
- Confesso que tive um enorme trabalho e como diz o prefaciador, Tercio Sampaio Ferraz Junior, que foi meu orientador no doutorado, penetrar nesse labirinto intricado do pensamento kantiano não é fácil. Ele afirma que esse livro “é um exemplo de arte sintética”. Esse é o objetivo da Coleção.
- A Coleção enfoca o trabalho de pensadores, que já morreram, mas cuja obra permanece atual?
-Permanece atual. E muitos ainda não foram totalmente entendidos. Kant dizia que chegou um século adiantado. E esse vaticínio ainda hoje não se concretizou, porque se estuda e procura-se compreender o pensamento kantiano, que continua atual, assim como o de Marx, apesar do fim dos governos socialistas baseados em sua teoria.
- Como o senhor avalia esse movimento que hoje impõe quase que o pensamento único do marketing de vendas, com todo o mundo pressionado, praticamente sem limite?
- Marx não previu a globalização, mas ela não se dá apenas em nível econômico. A globalização hoje é, sobretudo, da internet. Quando houve a revolução industrial, o que ocorreu foi a utilização do pensamento científico da época em termos de elementos material e energético. A força humana de trabalho e a produção embasavam todo o pensamento industrial e mercantilista. Atualmente, temos o modo eletrônico-digital, paradigma informacional que traduz o mundo em dados binários.
- Como o senhor se classifica em relação a esse contexto de hoje?
- Eu sou da geração atômica, do texto, do papel, do livro, assumidamente analógico, enquanto os jovens são da geração digital. Eles têm uma dificuldade de descer ao texto. Preferem o ciberespaço, a internet. Essa é uma das questões fundamentais de hoje. E não se pode ignorar o que é moderno, contemporâneo, o crescimento do próprio universo digital, da mídia e da internet.
- O senhor defende em um de seus livros uma espécie de soberania do ciberespaço. Como seria isso?
- A ciberdemocracia. Foi lançado agora em 2010 um livro de André Lemos e Pierre Lévy, enfocando a internet rumo a uma ciberdemocracia planetária.
- Essa cyberdemocracia não nos remete ao romance “1984” de George Orwell que traça um cenário de onipresença da tele tela – que hoje seria a internet?
- De um lado, há realmente esse perigo, como a idéia do panóptico de Foucault, do big brother, do qual, infelizmente, temos uma versão estereotipada do que seria o “grande irmão”: o estado vigilante, ditatorial e controlador. Nos filmes “Inimigo do Estado” e “A Rede”, citados em meu livro” Os Nervos do Poder”, temos exemplos de um estado controlador, através do meio digital.
- Aliás, há um projeto firmado entre vários países...
- O projeto “Echelon”, firmado através de um acordo entre Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, em decorrência do qual 120 satélites estão nos espionando diuturnamente, de tal maneira que toda conversa que nós temos através de fax, telefone, internet, telefone móvel, GPS etc. é captada e analisada. É a idéia de um controle via satélite de todos os meios de informação.
- Qual a reação a isso?
- Digo nesse meu livro que paralelamente a esse estado do big brother, do panóptico, temos também o Estado do cidadão, no qual ele exerce a ciberdemocracia, essa multimídia, que gera a inteligência coletiva interconectada. Ela vai se opor, de certa forma, ao Estado. Os grandes movimentos, hoje, estão dentro do ciberespaço, da rede mundial de computadores de cidadãos cada vez mais independentes em blogs, microblogs, twitter. Isso é transformação, ciberdemocracia. A ideia de um cidadão planetário, conectado via digital. Tudo em tempo real. Isso é o outro lado da moeda à opressão do Estado.
Emerson Barros de Aguiar – O Arthur Clarke dizia que o avanço tecnológico vai fazer com que o crime seja praticamente inviável, por causa da vigilância sobre a sociedade...
- O filme “Minority Reporter” mostra isso: antes da sua ocorrência, já se tem o controle.
Emerson – Mas estranhamente, não sei se por uma desconfiança atávica contra a tecnologia, quando a gente olha para o futuro em termos de romance, você percebe que se produz anti-utopias com a tecnologia do que praticamente um país. A que o senhor atribui isso?
- Eu atribuo à própria – creio que os romancistas vão por essa linha – desconfiança do ser humano. E no que ele pode produzir: a inteligência artificial pode ser pior do que o próprio homem...
- Numa se comunicou tanto, nunca foi tão fácil interagir e nunca houve tanta solidão...
- Muita gente não consegue ser o que é se não estiver diante de um teclado, na frente de uma tela de computador, anonimamente...É a isso que me refiro como global, a inteligência mundial ou coletiva interconectada. No Brasil hoje temos entre 45 e 50 milhões de usuários da internet. No mundo, 1,5 bilhão. E o maior crescimento não é nos países desenvolvidos, mas na América Latina, África, Oriente Médio e Caribe.
Emerson - A revolução sempre acontece onde não se espera...
-É verdade. Marx, por exemplo, previu a revolução num País industrializado e ela foi acontecer exatamente na Rússia atrasadíssima. Apesar da idéia de solidão, eu creio que o usuário do ciberespaço tem a necessidade umbilical de estar conectado a um pensamento coletivo.
- Mas a saída para a existência é tecnológica ou filosófica?
- Hoje, mais do que nunca - e alguns filósofos estão céticos por isso -, há um embate entre tecnologia e filosofia. A Filosofia surgiu como projeto filosófico pensado por Sócrates – não apenas um diletantismo, uma especulação. Em Sócrates, há um projeto efetivo de transmitir, ensinar e perpetuar a Filosofia, seguido por Platão e Aristóteles, que é quando vai nascer a chamada ciência.
- Como o senhor vê historicamente a Filosofia?
- A Filosofia é a mãe das ciências. Depois, a ciência se libertou da Filosofia, mas esta manteve, de qualquer maneira, o seu status de “scientia scientiarum”, a ciência das ciências. Na idade média tivemos uma transformação por conta da teologia. Na modernidade, graças ao pensamento científico, houve uma bifurcação entre filosofia e ciência, porque o que vai pesar na idade moderna e que veio libertar do pensamento teológico da idade média é exatamente a ciência de Galileu, de Copérnico. Foi aí que começou o pensamento científico, embora ligado à questão filosófica, que entrou como um elemento catalisador dessa transformação científica.
- Também foi com Galileu que a ciência se rebelou em relação ao pensamento religioso...
- O homem começou a se desvincular do problema teológico. E quando penetramos na época contemporânea, sobretudo a partir da revolução industrial, nós vemos a tecnologia assumir cada vez mais um papel de direção, de comando, se distanciando da Filosofia. Hoje, a tecnologia está praticamente independente da Filosofia. E nessa queda de braço, a tecnologia parece, a meu ver, estar ganhando por um round.
- A tecnologia está assumindo um papel que torna desnecessária a filosofia para entender o homem?
- Por isso, a Filosofia caminhou, no início do século XX, para o campo da estética, da comunicação, da linguagem.
Emerson – Num caminho muito crítico da tecnologia?
- Já fazendo a crítica. Já começa a dizer: olha não é bem por aí nosso caminho. A Filosofia já aponta o desvio.
Emerson – A escola de Frankfurt produz toda a reflexão sobre a tecnologia...
- Exatamente. É a grande precursora. Ela já sentiu que a tecnologia estava caminhando por uma linha que não era a dela. Por isso digo que é necessário um retorno a Kant.
- Por quê?
- Porque as bases da ética kantiana são mais do que nunca necessárias e estão sendo mais do que nunca estudadas. A União Europeia, hoje, tem um projeto de bases kantianas: a ideia de uma paz mundial – Kant tem uma obra chamada À Paz Perpétua. Por isso, falo da internet, da globalização, dessa cidadania do ciberespaço e da inteligência interconectada, da ciberdemocracia, defendendo, de certa forma, um projeto com base em pressupostos kantianos.
- Como será esse projeto?
- Primeiro, a criação de uma nova ciência, o ciberdireito e, segundo, um governo planetário.
-Será possível todos sob um mesmo manto, um mesmo governo?
- O futuro, de uma perspectiva da democracia globalizada, é algo quase inimaginável. Entretanto, procuro ver todo esse processo, apontar caminhos. E vejo um caminho: utilizar todo o aparato científico e tecnológico proporcionado pela internet, que é o medium planetário por excelência. Órgãos como a Organização Mundial do Comércio, a Organização Mundial da Saúde, o Banco Mundial, prefiguram, respectivamente, os Ministérios do Comércio, da Saúde e das Finanças de um governo mundial.
- A globalização hoje é mais que econômica?
- Ela não é apenas econômica, não é só política, monetário-financeira. Ela é sobretudo da internet. A grande globalização está no elemento digital. O homem não procura mais dominar a natureza – no sentido de Francis Bacon: de torcer o pescoço dela -, mas dominar a natureza dos pixels, das informações binárias, do mundo digital. Não é transformação da matéria, o extrativismo. Ela está sendo transformada binariamente.
- De certa forma é um retorno à origem, porque ou preserva ou se acaba...
- Exatamente isso: ou preserva ou se acaba. Por isso, esse futuro é meio nebuloso de se enxergar, mas está presente cada vez mais. As ficções de antigamente hoje estão se tornando realidade. De tudo o que já li sobre ficção científica só não se realizaram, ainda, duas coisas: o tele-transporte de Jornada nas Estrelas, embora já exista a tele-portação de partículas inanimadas; e a touca cerebral – embora já exista a experiência com chips implantados em cérebros para transmitir informações.
- A cada ano se dobra o conhecimento humano. Onde vai caber tudo isso e para que vai servir tudo isso e como a educação vai se apropriar desse conhecimento para transmiti-lo sob a perspectiva de que quando você estiver no terceiro ano de Filosofia tudo o que aprendeu estará superado. O homem voltará sempre aos princípios?
- Por isso a Filosofia não morreu e não morrerá nunca, mesmo soterrado o momento filosófico pela questão tecnológica. As questões imanentes do ser humano não desaparecem, elas continuam as mesmas: quem sou eu, de onde vim, para onde vou? E mais: um fenômeno sobre o qual o homem não deixa de pensar - que é a morte. Por mais tecnologia que se tenha, como a criogenia, o fenômeno morte não deixa de tocar o ser humano. É uma questão filosófica presente desde a Antiguidade.
- O livro de papel está com os dias contados?
- Eu faço a apologia escancarada do “livro tradicional”, que não vai acabar, apesar do digital. É como o cinema. Quando surgiu o VHS, os apressados disseram que o cinema iria acabar.
- Com esse avanço exponencial do conhecimento como ficará a História se estamos perdendo a capacidade de reflexão, uma vez que está tudo em tempo real?
- Tudo está na revolução digital, sobre a qual estou falando. Essa relação da internet, essa inteligência coletiva, essa interconexão planetária tem uma relação direta de tempo e espaço e, de fato, rompeu barreiras. Desde a revolução da própria linguagem: dos sinais, para a falada, para a escrita e finalmente a midiática. E a comunicação sofreu o encurtamento do tempo e espaço. Hoje, a informação é transmitida de forma instantânea.
- Será que o mundo conseguirá construir um sistema jurídico que possa atuar planetariamente?
- O Ciberdireito deve ser um novo direito, com o objetivo de disciplinar as relações do ciberespaço. Portanto, impõe-se a criação de uma nova ciência. Sob o ponto de vista político, a internet pode criar uma nova categoria de cidadão, uma espécie de cidadania do ciberespaço. Impõe-se a criação de um órgão supranacional, composto de representantes dos Estados, que não seria encarregado de aplicar o ciberdireito tão- somente, mas uma entidade que tivesse os poderes executivo, legislativo e judiciário e com força cogente, para obrigar ao cumprimento das normas. Indubitavelmente, chegaremos a esse ponto.
- Os Estados Unidos vão aceitar que um soldado deles seja julgado por crime de guerra no Afeganistão?
- Você está tendo uma visão política localizada no hoje. Mas você tem que considerar a revolução midiática, digital. Estou vendo nela um grande poder de transformação, capaz de superar todas as diferenças nacionalistas. Pode-se pensar numa Corte Superior planetária. A revolução midiática levará a isso como levou a baixar livros diretamente da internet e à criação de maravilhas da engenharia como o smartphone e o blue- ray, ao jornalismo cidadão e ao jornalismo móvel. Tomando-se uma questão isoladamente (Estados Unidos-Israel-Irã), sem conectá-la à revolução digital, à ciberdemocracia global, tem-se uma visão estática.
- Apesar de ser um fenômeno recente, ainda pouco estudado, a internet tem volta?
- Não, não, não! Embora eu diga que não se destruiu o livro, o cinema, eu asseguro que a cibercultura veio para ficar, evoluir e transformar. Haverá uma reconfiguração, em escala global, do aparato estatal ideológico dos países.
- Como essa transgressão criativa obedecerá a um arcabouço jurídico planetário?
- É necessário que tenhamos a visão de que um órgão terá de ter essa função e ser aceito pelos Estados. As nações europeias, hoje, têm dificuldade de aceitar as normas supranacionais, mas chegará o momento em que não prevalecerão as vontades particulares. Temos que considerar a opinião pública, que de maneira inconsciente e dialética, fatalmente se curvará. Aliás, já se curvou. Tenho amigos que tinham forte resistência ao computador. Depois que o conheceram, não abrem mais mão dele. Viciaram-se, positivamente. Eles se sentem conectados agora. É a marcha da História, todos acabam se amoldando. É inevitável.
- E o nosso futuro, as crianças?
- Elas pegam um livro e fazem leitura dinâmica; eu preciso de tempo para entender conceitos. Elas têm, em sua maioria, essa aptidão para entender o mundo digital, de decifrar códigos dificílimos, como no filme “Código para o Inferno”, onde uma criança autista resolve um enigma com uma velocidade impressionante. Elas estarão bem num mundo interconectado.
Luiz Carlos Sousa
De tempos em tempos há previsões de verdadeiras revoluções que estão por vir. Não faltam arautos para anunciá-las. Difícil é compreendê-las e decifrá-las como faz o professor Flamarion Tavares Leite, doutor em Direito pela PUC/SP, quando o tema é a internet e o direito. Ele chega a prever a criação de uma cultura interconectada que abolirá diferenças nacionalistas e com um direito supra- estados. “Vejo um grande poder de transformação capaz de superar todas as diferenças”, acredita. Nessa conversa, que contou com a participação do filósofo Emerson Barros de Aguiar, o professor Flamarion fala de Kant, de ética e até da solidão dos que se escondem atrás de um teclado para se comunicar e buscar a felicidade.
A entrevista
- O senhor está coordenando a “Coleção 10 lições’, que tenta tornar mais acessível a obra de grandes pensadores, como Kant, Marx e Maquiavel. Como surgiu essa idéia de trazer a filosofia, a economia e a política para uma linguagem coloquial?
-Essa coleção teve origem no meu livro “10 lições sobre Kant”, que não pretendia, inicialmente, fazer parte de coleção. Depois, com a aceitação que teve do público, entramos em conversação – eu e a Editora Vozes - e pensamos que este livro poderia ser transformado em uma Coleção.
- O que proporcionou a transformação do livro “As 10 lições sobre Kant” no início de uma Coleção?
- A estruturação do livro, que tem um prefácio, uma introdução, as dez lições e uma conclusão com a bibliografia. Mas a principal característica é pinçar, nas lições, os conceitos centrais do pensamento do autor analisado, numa linguagem acessível que possa alcançar uma base ampliada de leitores.
- Apesar do trabalho já concluído e impresso a pergunta é: dá para reduzir Kant em 10 lições?
- Confesso que tive um enorme trabalho e como diz o prefaciador, Tercio Sampaio Ferraz Junior, que foi meu orientador no doutorado, penetrar nesse labirinto intricado do pensamento kantiano não é fácil. Ele afirma que esse livro “é um exemplo de arte sintética”. Esse é o objetivo da Coleção.
- A Coleção enfoca o trabalho de pensadores, que já morreram, mas cuja obra permanece atual?
-Permanece atual. E muitos ainda não foram totalmente entendidos. Kant dizia que chegou um século adiantado. E esse vaticínio ainda hoje não se concretizou, porque se estuda e procura-se compreender o pensamento kantiano, que continua atual, assim como o de Marx, apesar do fim dos governos socialistas baseados em sua teoria.
- Como o senhor avalia esse movimento que hoje impõe quase que o pensamento único do marketing de vendas, com todo o mundo pressionado, praticamente sem limite?
- Marx não previu a globalização, mas ela não se dá apenas em nível econômico. A globalização hoje é, sobretudo, da internet. Quando houve a revolução industrial, o que ocorreu foi a utilização do pensamento científico da época em termos de elementos material e energético. A força humana de trabalho e a produção embasavam todo o pensamento industrial e mercantilista. Atualmente, temos o modo eletrônico-digital, paradigma informacional que traduz o mundo em dados binários.
- Como o senhor se classifica em relação a esse contexto de hoje?
- Eu sou da geração atômica, do texto, do papel, do livro, assumidamente analógico, enquanto os jovens são da geração digital. Eles têm uma dificuldade de descer ao texto. Preferem o ciberespaço, a internet. Essa é uma das questões fundamentais de hoje. E não se pode ignorar o que é moderno, contemporâneo, o crescimento do próprio universo digital, da mídia e da internet.
- O senhor defende em um de seus livros uma espécie de soberania do ciberespaço. Como seria isso?
- A ciberdemocracia. Foi lançado agora em 2010 um livro de André Lemos e Pierre Lévy, enfocando a internet rumo a uma ciberdemocracia planetária.
- Essa cyberdemocracia não nos remete ao romance “1984” de George Orwell que traça um cenário de onipresença da tele tela – que hoje seria a internet?
- De um lado, há realmente esse perigo, como a idéia do panóptico de Foucault, do big brother, do qual, infelizmente, temos uma versão estereotipada do que seria o “grande irmão”: o estado vigilante, ditatorial e controlador. Nos filmes “Inimigo do Estado” e “A Rede”, citados em meu livro” Os Nervos do Poder”, temos exemplos de um estado controlador, através do meio digital.
- Aliás, há um projeto firmado entre vários países...
- O projeto “Echelon”, firmado através de um acordo entre Estados Unidos, Inglaterra, Canadá, Nova Zelândia e Austrália, em decorrência do qual 120 satélites estão nos espionando diuturnamente, de tal maneira que toda conversa que nós temos através de fax, telefone, internet, telefone móvel, GPS etc. é captada e analisada. É a idéia de um controle via satélite de todos os meios de informação.
- Qual a reação a isso?
- Digo nesse meu livro que paralelamente a esse estado do big brother, do panóptico, temos também o Estado do cidadão, no qual ele exerce a ciberdemocracia, essa multimídia, que gera a inteligência coletiva interconectada. Ela vai se opor, de certa forma, ao Estado. Os grandes movimentos, hoje, estão dentro do ciberespaço, da rede mundial de computadores de cidadãos cada vez mais independentes em blogs, microblogs, twitter. Isso é transformação, ciberdemocracia. A ideia de um cidadão planetário, conectado via digital. Tudo em tempo real. Isso é o outro lado da moeda à opressão do Estado.
Emerson Barros de Aguiar – O Arthur Clarke dizia que o avanço tecnológico vai fazer com que o crime seja praticamente inviável, por causa da vigilância sobre a sociedade...
- O filme “Minority Reporter” mostra isso: antes da sua ocorrência, já se tem o controle.
Emerson – Mas estranhamente, não sei se por uma desconfiança atávica contra a tecnologia, quando a gente olha para o futuro em termos de romance, você percebe que se produz anti-utopias com a tecnologia do que praticamente um país. A que o senhor atribui isso?
- Eu atribuo à própria – creio que os romancistas vão por essa linha – desconfiança do ser humano. E no que ele pode produzir: a inteligência artificial pode ser pior do que o próprio homem...
- Numa se comunicou tanto, nunca foi tão fácil interagir e nunca houve tanta solidão...
- Muita gente não consegue ser o que é se não estiver diante de um teclado, na frente de uma tela de computador, anonimamente...É a isso que me refiro como global, a inteligência mundial ou coletiva interconectada. No Brasil hoje temos entre 45 e 50 milhões de usuários da internet. No mundo, 1,5 bilhão. E o maior crescimento não é nos países desenvolvidos, mas na América Latina, África, Oriente Médio e Caribe.
Emerson - A revolução sempre acontece onde não se espera...
-É verdade. Marx, por exemplo, previu a revolução num País industrializado e ela foi acontecer exatamente na Rússia atrasadíssima. Apesar da idéia de solidão, eu creio que o usuário do ciberespaço tem a necessidade umbilical de estar conectado a um pensamento coletivo.
- Mas a saída para a existência é tecnológica ou filosófica?
- Hoje, mais do que nunca - e alguns filósofos estão céticos por isso -, há um embate entre tecnologia e filosofia. A Filosofia surgiu como projeto filosófico pensado por Sócrates – não apenas um diletantismo, uma especulação. Em Sócrates, há um projeto efetivo de transmitir, ensinar e perpetuar a Filosofia, seguido por Platão e Aristóteles, que é quando vai nascer a chamada ciência.
- Como o senhor vê historicamente a Filosofia?
- A Filosofia é a mãe das ciências. Depois, a ciência se libertou da Filosofia, mas esta manteve, de qualquer maneira, o seu status de “scientia scientiarum”, a ciência das ciências. Na idade média tivemos uma transformação por conta da teologia. Na modernidade, graças ao pensamento científico, houve uma bifurcação entre filosofia e ciência, porque o que vai pesar na idade moderna e que veio libertar do pensamento teológico da idade média é exatamente a ciência de Galileu, de Copérnico. Foi aí que começou o pensamento científico, embora ligado à questão filosófica, que entrou como um elemento catalisador dessa transformação científica.
- Também foi com Galileu que a ciência se rebelou em relação ao pensamento religioso...
- O homem começou a se desvincular do problema teológico. E quando penetramos na época contemporânea, sobretudo a partir da revolução industrial, nós vemos a tecnologia assumir cada vez mais um papel de direção, de comando, se distanciando da Filosofia. Hoje, a tecnologia está praticamente independente da Filosofia. E nessa queda de braço, a tecnologia parece, a meu ver, estar ganhando por um round.
- A tecnologia está assumindo um papel que torna desnecessária a filosofia para entender o homem?
- Por isso, a Filosofia caminhou, no início do século XX, para o campo da estética, da comunicação, da linguagem.
Emerson – Num caminho muito crítico da tecnologia?
- Já fazendo a crítica. Já começa a dizer: olha não é bem por aí nosso caminho. A Filosofia já aponta o desvio.
Emerson – A escola de Frankfurt produz toda a reflexão sobre a tecnologia...
- Exatamente. É a grande precursora. Ela já sentiu que a tecnologia estava caminhando por uma linha que não era a dela. Por isso digo que é necessário um retorno a Kant.
- Por quê?
- Porque as bases da ética kantiana são mais do que nunca necessárias e estão sendo mais do que nunca estudadas. A União Europeia, hoje, tem um projeto de bases kantianas: a ideia de uma paz mundial – Kant tem uma obra chamada À Paz Perpétua. Por isso, falo da internet, da globalização, dessa cidadania do ciberespaço e da inteligência interconectada, da ciberdemocracia, defendendo, de certa forma, um projeto com base em pressupostos kantianos.
- Como será esse projeto?
- Primeiro, a criação de uma nova ciência, o ciberdireito e, segundo, um governo planetário.
-Será possível todos sob um mesmo manto, um mesmo governo?
- O futuro, de uma perspectiva da democracia globalizada, é algo quase inimaginável. Entretanto, procuro ver todo esse processo, apontar caminhos. E vejo um caminho: utilizar todo o aparato científico e tecnológico proporcionado pela internet, que é o medium planetário por excelência. Órgãos como a Organização Mundial do Comércio, a Organização Mundial da Saúde, o Banco Mundial, prefiguram, respectivamente, os Ministérios do Comércio, da Saúde e das Finanças de um governo mundial.
- A globalização hoje é mais que econômica?
- Ela não é apenas econômica, não é só política, monetário-financeira. Ela é sobretudo da internet. A grande globalização está no elemento digital. O homem não procura mais dominar a natureza – no sentido de Francis Bacon: de torcer o pescoço dela -, mas dominar a natureza dos pixels, das informações binárias, do mundo digital. Não é transformação da matéria, o extrativismo. Ela está sendo transformada binariamente.
- De certa forma é um retorno à origem, porque ou preserva ou se acaba...
- Exatamente isso: ou preserva ou se acaba. Por isso, esse futuro é meio nebuloso de se enxergar, mas está presente cada vez mais. As ficções de antigamente hoje estão se tornando realidade. De tudo o que já li sobre ficção científica só não se realizaram, ainda, duas coisas: o tele-transporte de Jornada nas Estrelas, embora já exista a tele-portação de partículas inanimadas; e a touca cerebral – embora já exista a experiência com chips implantados em cérebros para transmitir informações.
- A cada ano se dobra o conhecimento humano. Onde vai caber tudo isso e para que vai servir tudo isso e como a educação vai se apropriar desse conhecimento para transmiti-lo sob a perspectiva de que quando você estiver no terceiro ano de Filosofia tudo o que aprendeu estará superado. O homem voltará sempre aos princípios?
- Por isso a Filosofia não morreu e não morrerá nunca, mesmo soterrado o momento filosófico pela questão tecnológica. As questões imanentes do ser humano não desaparecem, elas continuam as mesmas: quem sou eu, de onde vim, para onde vou? E mais: um fenômeno sobre o qual o homem não deixa de pensar - que é a morte. Por mais tecnologia que se tenha, como a criogenia, o fenômeno morte não deixa de tocar o ser humano. É uma questão filosófica presente desde a Antiguidade.
- O livro de papel está com os dias contados?
- Eu faço a apologia escancarada do “livro tradicional”, que não vai acabar, apesar do digital. É como o cinema. Quando surgiu o VHS, os apressados disseram que o cinema iria acabar.
- Com esse avanço exponencial do conhecimento como ficará a História se estamos perdendo a capacidade de reflexão, uma vez que está tudo em tempo real?
- Tudo está na revolução digital, sobre a qual estou falando. Essa relação da internet, essa inteligência coletiva, essa interconexão planetária tem uma relação direta de tempo e espaço e, de fato, rompeu barreiras. Desde a revolução da própria linguagem: dos sinais, para a falada, para a escrita e finalmente a midiática. E a comunicação sofreu o encurtamento do tempo e espaço. Hoje, a informação é transmitida de forma instantânea.
- Será que o mundo conseguirá construir um sistema jurídico que possa atuar planetariamente?
- O Ciberdireito deve ser um novo direito, com o objetivo de disciplinar as relações do ciberespaço. Portanto, impõe-se a criação de uma nova ciência. Sob o ponto de vista político, a internet pode criar uma nova categoria de cidadão, uma espécie de cidadania do ciberespaço. Impõe-se a criação de um órgão supranacional, composto de representantes dos Estados, que não seria encarregado de aplicar o ciberdireito tão- somente, mas uma entidade que tivesse os poderes executivo, legislativo e judiciário e com força cogente, para obrigar ao cumprimento das normas. Indubitavelmente, chegaremos a esse ponto.
- Os Estados Unidos vão aceitar que um soldado deles seja julgado por crime de guerra no Afeganistão?
- Você está tendo uma visão política localizada no hoje. Mas você tem que considerar a revolução midiática, digital. Estou vendo nela um grande poder de transformação, capaz de superar todas as diferenças nacionalistas. Pode-se pensar numa Corte Superior planetária. A revolução midiática levará a isso como levou a baixar livros diretamente da internet e à criação de maravilhas da engenharia como o smartphone e o blue- ray, ao jornalismo cidadão e ao jornalismo móvel. Tomando-se uma questão isoladamente (Estados Unidos-Israel-Irã), sem conectá-la à revolução digital, à ciberdemocracia global, tem-se uma visão estática.
- Apesar de ser um fenômeno recente, ainda pouco estudado, a internet tem volta?
- Não, não, não! Embora eu diga que não se destruiu o livro, o cinema, eu asseguro que a cibercultura veio para ficar, evoluir e transformar. Haverá uma reconfiguração, em escala global, do aparato estatal ideológico dos países.
- Como essa transgressão criativa obedecerá a um arcabouço jurídico planetário?
- É necessário que tenhamos a visão de que um órgão terá de ter essa função e ser aceito pelos Estados. As nações europeias, hoje, têm dificuldade de aceitar as normas supranacionais, mas chegará o momento em que não prevalecerão as vontades particulares. Temos que considerar a opinião pública, que de maneira inconsciente e dialética, fatalmente se curvará. Aliás, já se curvou. Tenho amigos que tinham forte resistência ao computador. Depois que o conheceram, não abrem mais mão dele. Viciaram-se, positivamente. Eles se sentem conectados agora. É a marcha da História, todos acabam se amoldando. É inevitável.
- E o nosso futuro, as crianças?
- Elas pegam um livro e fazem leitura dinâmica; eu preciso de tempo para entender conceitos. Elas têm, em sua maioria, essa aptidão para entender o mundo digital, de decifrar códigos dificílimos, como no filme “Código para o Inferno”, onde uma criança autista resolve um enigma com uma velocidade impressionante. Elas estarão bem num mundo interconectado.
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